domingo, 20 de julho de 2014

Dia do amigo sem nhém nhém nhém

Quem me conhece sabe que não sou muito de mimimi. Não sou fofa, não sou meiga e não sou delicada. Nunca fui. Não curto frases de auto-ajuda atribuídas a escritores que devem se revirar nos túmulos ao lerem as pieguices atribuídas a eles e não sou lá muito adepta de imagens bonitinhas com chavões que falam de amor, amizade, perseverança blá blá 
Mas se de um lado não gosto muito dessas fofurices, por outro meu reconhecimento a meus amigos é inabalável. Por eles, estou sempre disposta e de prontidão, para fazer o que for necessário mas não me chamem para roubar, matar ou sequestrar ninguém. Só esclarecendo. Ainda que a gente não se veja com a frequência desejada. Ainda que as conversas via facebook por vezes se tornem mais corriqueiras do que gostaríamos. Ou ainda que a gente fique um bom tempo sem ao menos trocar uma palavra ou um kkkkkkk. Piada interna.
Porque a amizade permanece. Apesar dos defeitos, das diferenças, das discussões. Isso porque vamos percebendo, com o passar dos anos, que os verdadeiros amigos são poucos. E se são tão raros, merecem ser cuidados, preservados. Só fazemos isso com respeito, paciência e compreensão. Sim, muitas vezes os amigos são muito diferentes de nós. Às vezes nos perguntamos como é que ainda o suportamos. E aí vem uma conversa, um abraço, uma risada e a gente não questiona mais nada, porque a resposta está na cara.
Então, não apenas desejo um feliz dia do amigo, mas agradeço a todos aqueles, novos e antigos, que me dão a honra de poder usar esse título. E aproveito para dizer que vocês deixam minha vida muito mais feliz e divertida kkkkkkkk. Piada interna. De novo.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Do futebol e outros demônios

Aqui vou falar muito pouco de futebol. Reconheço humildemente a minha limitação e minha ignorância. Deixo para pessoas mais gabaritadas as análises táticas, técnicas e estratégicas.
Se não vou falar de bola, vou falar de pessoas. Principalmente daquelas que, de tão rasteiras, nem mereciam a nossa atenção. Mas todo mundo merece seus 15min de fama, então vamos em frente.
Eu curti essa Copa tanto quanto foi possível. Comprei ingressos, fui ao estádio, assisti aos jogos. Em casa, esforcei-me para dar conta do trabalho e poder parar na hora de jogar. E se não dava para jogar o trabalho para cima completamente, era um olho no processo e outro na partida. Porque Copa é Copa e essa foi boa do início até agora. E por agora entenda-se que o dia de ontem está incluído.
No entanto, para muitos, a Copa só prestou até as 17:10h do dia 08/07/2014. A partir daí, virou um festival de vendidos que ganham milhões e não são capazes de jogar. Ou um evento que começou errado, com estádios superfaturados e obras não finalizadas, de modo que tinha de terminar errado também. Ou ainda um espetáculo de alienados que não enxergam o uso político que o PT e Dilma estão fazendo do mundial.
Sinceramente? Preguiça. Preguiça da burrice das pessoas. Para mim, só pode ser problema de conexão entre neurônios. O que tem a ver as obras da Copa e dentre obras da Copa não está incluído o viaduto em BH com o futebol jogado ou não pela seleção brasileira? Ou a máfia dos ingressos com os 07 gols sofridos? Desculpa, mas não vou perder tempo discutindo com amebas.
Outro ponto interessante analisar é a vergonha. Né, porque é um vexame, uma humilhação, porque não vai se falar em outra coisa, porque foi um baque, porque estamos destruídos, porque parece que levei uma surra.... Menos, por favor. Foi horrível, foi foi intenso, foi - Pablo do Arrocha. Foi ridículo até. Em algum momento do jogo, o gol nem doeu mais. Mas é isso, gente, é futebol. Para um ganhar, o outro tem de perder. Dessa vez, e mais uma vez, fomos nós. Que façamos da derrota uma lição. E lembremos que, se fôssemos nós a meter 7 na Alemanha, provavelmente hoje estaríamos fazendo piadas grotescas com salsichões. Então não vamos crucificar jogadores, xingá-los de putas que não têm nada a ver com isso, chamá-los de vendidos, publicar seus salários como se o fato de ganharem muito bem os proibisse de perder, de errar. Eles merecem todas as críticas, mas não a execração pública. Não vamos, na derrota, apagar tudo que de bacana fizeram desde o ano passado. Ou já esquecemos que fomos campeões da Copa das Confederações?
E para finalizar, quero dizer que sou brasileira independentemente de torcer e sofrer pela Seleção Brasileira. Exercício de cidadania não se mistura com torcida de futebol. Fiquei feliz de ver as pessoas unidas em busca de um ideal. Espero que possamos continuar unidos em busca de outros, um pouco mais importantes do que o hexacampeonato. O que me deixou triste, no entanto, foi perceber que os brasileiros, para enaltecer aquilo que têm de bom, precisam diminuir o outro, o rival, o inimigo, seja este a seleção que não jogou ou o PT que nem competência para comprar a Copa teve. E como se não acreditassem que de fato somos bons, temos coisas boas, somos únicos. Xingam, vaiam, do hino de outro país à presidente da República. Colocam bandeira no carro em um dia para queimá-la em praça pública no outro. Difícil aceitar tamanha contradição, afinal, até ontem o tom do cântico dos estádios era a chatíssima "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". Cadê o orgulho? E o amor? 
Domingo a Copa termina, não sem antes a disputa de 3º lugar, que também promete ser um ótimo jogo. E semana que vem já recomeça o Brasileirão. Temos também eleições. Ou seja, preparemos nossas cabeças, coração e estômagos, porque ainda tem muito 2014 pela frente.
E para as crianças que continuam sem ver o Brasil ser campeão, acreditem em mim, vocês superam. 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Estão faltando palavras?

E mais uma vez este blog fica às traças virtuais. Quase um mês sem postagens. Assim enfraquece a amizade. Poderia dizer que estou sem tempo. De fato estou. Mas acho que a verdade verdadeira é que me sinto usando tanto as palavras que às vezes parece que gastei todas elas. Fico, sei lá, 8h por dia escrevendo. Ainda tenho meu curso, que faço com o maior prazer, em que pese muitas vezes ter de terminar as atividades forma corrida. Aí, quando penso em simplesmente aparecer por aqui para desabafar, compartilhar, externar opiniões, simplesmente as palavras se escondem, talvez por pirraça, por não estarem recebendo a devida atenção. Eu as entendo, juro.
Mas eu ainda estou aqui, e prometo, sem cruzar os dedos, que tentarei ser mais assídua. Que economizarei algumas de melhores palavras para usar por aqui. Que o tempo livre será fraternalmente dividido entre o curso, o blog e a bicicleta - e o marido, claro. E que jamais vou esquecer do quanto este blog já foi importante para mim, então não posso simplesmente desprezar algo que me ajudou em tantos momentos.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Déjà vu

Os músculos retesam, fazendo surgir dores aqui e ali. O estômago relembra queimações que há tempos não apareciam. Pequenos erros, aborrecimentos, contratempos, que vão dando o tom do que será essa semana. Ou não.
Treino discursos imaginários, cuja chance de acontecerem de verdade é muito grande.
Prevejo uma noite agitada.
Antecipo situações.
Sofro de véspera, como isso pudesse me preparar para o pior.
E, no fim das contas, só posso saber o que quero. E o que não quero. O resto é uma incógnita. 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Pollyanna e a moeda

Ver as coisas pelo lado bom não é apenas uma forma Pollyanna de ser. É a maneira de seguir em frente sem se prender ao que de ruim aconteceu. É de fato enxergar que coisas produtivas podem surgir de uma situação aparentemente adversa. É tomar o baque, aprender e voltar a caminhar.
Não sou muito adepta do outro lado da moeda, que é o famoso "poderia ser pior". É mais ou menos assim: tropeçou e caiu? Poderia ser pior, poderia ter quebrado o braço. Ou: foi roubada? Poderia ser pior, poderia ter sido sequestrada, estuprada e esquartejada. E ainda: caiu em um buraco? Poderia ser pior, poderia ter ido parar no núcleo da Terra e ter morrido queimada de lava. Acho que já deu para entender, né?
O que me irrita no "poderia ser pior" é que sempre pode ser pior, sempre tem alguém em uma situação pior do que a nossa corta para a foto do garotinho sem braços e sem pernas para fazer você se sentir culpada por estar reclamando que não faz as unhas em um salão há mais de mês. Não há nada que esteja tão ruim que não possa piorar. Fato.
O grande lance de ver as coisas pelo lado bom é ser algo que só depende de nós se esse mundo ainda tem jeito, apesar do que o homem tem feito.... Porque não basta ver, não temos uma postura de espectadores nesse caso. Normalmente, nós temos de fazer essa coisa boa acontecer. Ela não vai cair do céu, embora eu tenha de admitir que às vezes coisas ruins acontecem para evitar acontecimentos bem piores, mas só percebemos isso depois de ter bradado e amaldiçoado a tudo e todos ao redor então, de certa forma e da forma da crença de cada um, caiu do céu
Se nós vivemos imersos, boa parte do tempo, em situações que não são as ideais, as mais confortáveis e agradáveis, pressionados por prazos, produtividade e metas, tentando fazer malabarismos para o dinheiro render, a conta fechar e o mercado não faltar, então não são poucas as vezes em que somos obrigados a decidir de que forma vamos ver as coisas.
Não se engane, essa é uma escolha que vai permear a sua vida e definir como ela será dali por diante. E aí, no cara e coroa da vida, você torce para que face da moeda caia virada para cima?

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Temos todo o tempo do mundo? Não, as coisas não são bem assim...

Saber eu até sei. Mas quem disse que eu me conscientizo de que não sou a mulher-maravilha? Que não dá para manter as coisas no ritmo que estão? Que dormir 5h/6h por noite não é sustentável? E que a empolgação somente vai servir para mascarar o cansaço por um tempo?
Têm sido semanas puxadas. Muito trabalho e outras atividades. Morro de inveja de quem tem no trabalho uma forma de prazer, mas não é o meu caso. Gosto da função que ocupo e do trabalho que faço, me sinto recompensada quando preparo uma minuta de sentença que exigiu mais de mim, mas daí a sentir prazer com isso é outra história. Trabalho é trabalho e pronto. Sem dramas.
Também não posso dizer que gosto de malhar. Malho porque sim. Fico feliz com o resultado, gosto de ver minha evolução, mas o momento em si, blergh. Se não fosse Danilo, bem provável que eu já tivesse jogado a toalha.
As outras atividades me preenchem e me divertem. Adoro escrever e tenho me dedicado a isso. A bicicleta me conquistou e agora, definitivamente, faz parte de minha vida. O italiano também é uma festa, tanto pela aula quanto pelos colegas.
No entanto, tudo demanda investimento do mais caro: tempo. Porque felizmente ou infelizmente, quando eu me dedico a algo, faço de corpo e alma. Gosto de participar, de entender. Gosto de fazer a diferença. Não sei ser de outro jeito.
E aí, quando me dou conta, já são 23:00h, 00:00h. E no outro dia acordo às 06:00h, ou às 05:00h, então bate o desespero porque o despertador avisou que está programado para tocar daqui a 05horas, 07 minutos e 32 segundos. E quando se quer dormir logo, aí é que o sono não vem mesmo.
E aí chegamos ao resultado da equação. Se eu não consigo ler o que os bocejos e as olheiras significam, o corpo manda recados mais enfáticos. De repente, uma azia meio do nada. Depois, uma garganta que começa a doer inesperadamente. E aí, analfabeta, vai entender o recado ou vou precisar desenhar?
Então, a partir de agora, tenho dois objetivos. O primeiro é conseguir dormir cedo. Se tem bike num dia à noite, no outro dia eu preciso ir para a cama mais cedo. Isso demanda uma logística de organização maior, deixar algumas coisas já arrumadas, mas vai ter de ser assim.
O segundo objetivo é dizer um pouco mais de não. Não, eu não preciso ajudar todo mundo. Não, eu não preciso procurar isso no google, porque qualquer um pode fazer. Não, eu não preciso tomar todas as responsabilidades para mim.
Ou seja, se eu quiser continuar fazendo todas as coisas que preciso e gosto, tenho de me cuidar melhor Afinal, pior é depois cair doente e não conseguir fazer nada.
E termino com a frase mais bela do dia, que não garanto a autoria  - Marcel Proust - nem a literalidade: uma hora não é uma hora, é um vaso cheio de perfumes, de sons, de projetos e de climas. 

domingo, 11 de maio de 2014

A herança - apenas uma pequena homenagem

Apoiou os braços na cômoda e ficou na pontinha dos pés, como fazia todos os dias desde que se entendia por gente. Muito difícil controlar a ansiedade. Mal conseguia enxergar o próprio rosto no espelho, mesmo se esticando o máximo que podia. Quando afinal triscou naquele que era seu maior desejo, não se conteve e sorriu triunfante.
Lembrou da primeira vez que o viu, no colo da mãe. O encantamento foi imediato. Aquela profusão de cores deixou-a hipnotizada. Seria possível existirem tantas?

Olhou para o lado assustada. Será que a mãe sabia daquelas incursões diárias? Encolheu-se. Sentiu-se envergonhada, as bochechas ficaram vermelhas. Saiu correndo, mas, vendo-se sozinha em casa, retornou ao quarto e para o seu mister.

Puxou o objeto para si, apertou bem forte contra o peito para não deixá-lo cair e sentou-se encolhida em um canto entre o guarda-roupa e a sapateira. Abriu a tampa, mirou demoradamente cada detalhe. Fotografou cada cor, cada matiz. Passou os dedos por toda sua extensão. Sentiu as diferentes texturas misturando-se de forma quase circense em sua pele. Aspirou o perfume. Explorou cada compartimento, arregalando os olhos com a quantidade de coisas que cabia ali dentro. Alisou, mexeu, experimentou.

Transformou-se ela mesma em uma cobaia, tão concentrada em sua descoberta como se o mundo ao qual pertencesse se resumisse àquele minúsculo vão de 50cmx60cm. Apesar do breu no esconderijo, tinha convicção do que fazia. Ansiou a sua vida inteira de cinco anos por aquele instante. Torcia para que não tivesse fim. Ainda havia muita coisa para ser testada ali.

Ouviu o barulho da maçaneta. Viu-se enfim desmascarada, a mãe entrando e despejando um sermão daqueles.

Ergueu a cabeça, e a mãe apareceu de pé à sua frente. Sua fisionomia misturava indistintamente surpresa e zanga. Antes que começasse o falatório - e o carão – levantou-se, colocou as mãos nas cadeiras, fez a sua melhor cara de convencimento e, em tom de inquisição, perguntou:

- Mãe, quando você morrer, seu estojo de maquiagem vai ficar para mim de herança?

Segundos depois, estava refestelada na própria cama, curtindo plenamente a sua mais nova aquisição, com a alma tão colorida que nem o arco-íris pintado em sua face era capaz de demonstrar.