domingo, 1 de fevereiro de 2015

Menina Bike Girl. Angel no Pedal. É, chega uma hora que temos de arrumar isso tudo.

Eu sabia que 2015 seria um ano movimentado, mas precisava ser tudo tão rápido? Tinha de acontecer tudo ao mesmo tempo? O ritmo frenético faz parte do pacote?
Janeiro nem bem terminou e foram tantos acontecimentos que até me sinto zonza. Quase não sei por onde começar, pois parece que as demandas são infinitas.
Não dá nem para dizer que não imaginada ter chegado onde cheguei. Não existia onde. Não existia pensar sobre nada disso.
E quando dei por mim, estava completamente absorvida e mergulhada nesse projeto Bike Anjo Salvador, querendo fazer mais, querendo fazer melhor. Apesar da animação, o receio de não dar conta, a dúvida sobre estar fazendo a coisa certa, o questionamento sobre as decisões tomadas não deixam de pairar sobre minha cabeça. Porque, né, você já participou da articulação de um grupo desse tipo? Pois é, nem eu! Ou seja, zero know-how!!!!
Batendo cabeça, dando com os burros n'água, recebendo balde de água fria, o que não falta é chavão para descrever esse percurso. Não vamos acertar sempre. Acho que vamos errar muitas vezes, para dizer a verdade. Mas eu garanto dar o meu melhor. O que não falta é vontade de aprender, de conhecer e vivenciar tudo que existe por aí. A bicicleta é um vasto mundo, e eu nem me chamo Raimundo, não sou rima nem solução. Não estou aqui para apontar verdades ou ser dona da razão de nada. Só posso oferecer a minha dedicação e o amor que desenvolvi por esse que é mais do que um projeto, mas um movimento por mudanças de paradigmas.
E é por conta da dimensão que o Bike Anjo Salvador tomou que tive de tomar algumas decisões. Sim, eu preciso trabalhar. Eu também tenho de tomar conta de minha casa. Eu quero mais tempo com meu marido, minha família e amigos tô falando aqueles que não pedalamEu não posso abrir mão de mais horas de sono. Sinto falta de escrever mais. E, é claro, gostaria de poder não fazer nada de vez em quando, só para variar.
Por conta disso tudo é que tive de exercitar a minha incipiente capacidade de dizer não. Tive de escolher. Deixar alguns anéis irem para que ficassem os dedos. Só que esse processo não acontece sem dor. Deixar de fazer algo que se gosta é um processo difícil. Trata-se de exercer o desapego, abandonar a rotina, desacostumar-se ao padrão.
E foi esse o roteiro que segui para deixar a coordenação do grupo Meninas no Pedal. Desde quando compreendi que fazer parte do Bike Anjo Salvador e do Meninas no Pedal era incompatível, soube que o momento de optar chegaria. Só não pensei que fosse ser tão depressa. Me envolvi tão intensamente com as atividades do BAS que os choques eram inevitáveis. São perspectivas diversas, em que pese os objetivos muitas vezes se aproximarem, tanto é assim que os grupos são parceiros.
E então, mesmo que meu coração seja eternamente cor de rosa, chegou o momento de fazer meu trabalho em outro lugar, onde eu talvez me faça mais necessária, pelo menos por enquanto. 
Isso não significa dizer que não sou mais uma Menina no Pedal. Sou e sempre serei. Sou muito grata pelo que o grupo fez por mim. Foi no MNP que pude crescer, exercer um papel que nunca me imaginei fazendo, desenvolver habilidades. E mais, foi o MNP que me proporcionou conhecer muitas pessoas e ter acesso a outras tantas, por conta do papel que assumi nesse grupo.
Agradeço às pioneiras do grupo por terem me recebido e aberto as portas para mim, principalmente a Karina e a Cândida, com quem dividi boa parte dessa jornada.
Agradeço a todas as meninas pela confiança, pela ajuda e pela compreensão com esta Fiona que vos fala.
Agradeço a todos que acreditaram nesse grupo e nos apoiaram desde o início.
Agradeço aos ciclistas que nos receberam em seus grupos, que nos convidaram para seus pedais e que tiveram a paciência e boa vontade de nos ensinar, dar dicas e ajudar. Acho que fomos boas alunas! Podem continuar chamando porque nós vamos!!!
Agora parto para desbravar novos mundos. Eu tenho uma porção de coisas para conquistar, então vou ali pegar minha bike, porque não posso ficar aqui parada. E vou de rosa.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Sobre bolo e guaraná

Eu já disse que faço aniversário no mesmo dia que Simone de Beauvoir? É, não se nasce mulher, torna-se. Deve ser por isso que tive tanta pressa de chegar ao mundo. Porque havia muita coisa a ser feita para que eu me tornasse mulher: viver, sonhar, carregar bandeira, ter tempo para ser feliz. E ter coragem para sê-lo.
E quando se decide ser feliz, tudo acontece para mostrar que se escolheu o caminho certo. Porque o amor envolvido não tem fim. E você deixa de ter qualquer dúvida sobre as sementes que plantou e os sentimentos que buscou espalhar pelo mundo.
Nesses três dias da micareta de aniversário, eu tive as melhores demonstrações de carinho e afeto. Muito mais do que poderia imaginar. Desde pessoas que eu mal conheço, mas que deixaram lindas mensagens, até as pessoas próximas, que dedicaram seu tempo para comprar - e fazer! - presentes que fossem a minha cara e como acertaram, meu Deus!, e me desejar o que há de melhor nesse novo ciclo que se inicia. E mesmo as que lembraram apenas por conta da notificação do Facebook, sem problema! Pararam ali um minutinho para escrever algo bacana para mim. Em tempos de tanta correria, isso para mim já é uma demonstração de afeto sem igual.
A micareta de aniversário começou na própria sexta-feira, em que fui recebida no Rooftop, do meu queridíssimo amigo Vlad, onde foram abertos os jogos os trabalhos comemorativos. Compareceu quem sempre comparece. Quem bate o ponto mesmo. E olhe, é dessas pessoas que quero me cercar, hoje e sempre.
O sábado foi um dia mágico, não dá para encontrar uma palavra para defini-lo. Começou com um Pedal com SUP, que simplesmente foi perfeito. Não, mais do que perfeito. Sabe algo que brilha, que emana boas energias? Que cria em volta de si uma atmosfera de alegria? É isso. Pedal de bem com a vida, diversão dentro da água, café da manhã sucesso, com direito a bolo delicioso mas sem guaraná e a melhor parte, cercada de pessoas maravilhosas, que não deixam ninguém ter dúvidas de que é querida. 
E a tarde do sábado, hein? O que falar? Tricotar com tantas meninas a tarde toda foi uma delícia. Pode fazer aniversário toda semana para repetir? Quero vocês em minha casa sempre, gente!!! Presença que é presente, o que mais posso querer da vida?
E aí, a cereja do bolo, encontro da Família Marconi na matriz, com a presença ilustre dos habitantes da terra da garoa! Ausência apenas de Thiago, Rafael e Bruno Marconi, com os seus respectivos núcleos familiares. E aí cada vez que nos reunimos dessa forma eu me pergunto por que não fazemos isso mais vezes, hein?
Eu não gosto da banalização da palavra gratidão. Nem do uso irrestrito e indiscriminado da palavra amor. Só que não há outras que eu possa usar aqui. Porque é disso propriamente que se trata. Gratidão e amor. Por ter recebido tantas boas energias, de pessoas que estavam longe ou perto, pelo abraços apertados, pelos desejos de saúde, paz, sucesso. Pelos presentes carinhosos, escolhidos com tanto cuidado e atenção. Pela oportunidade de estar perto. Por terem trazido tantos sorrisos para os meus dias. Por me ajudarem a entender que sim, eu me tornei mulher, removi pedras e plantei roseiras, tenho tempo e coragem para ser feliz já diziam Simone, Adélia, Cora e Dona Canô. Por terem feito não só os dias de meu aniversário mais bonitos, mas por darem à minha vida um colorido todo especial. 
Então, hoje e sempre eu sou amor e gratidão da cabeça aos pés.




















 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Sobre o que veio e o que vem


Daqui a algumas horas, acaba meu inferno astral e o meu ano começa.
Começa também uma nova Marcella, porque a cada ciclo de 365 dias que se inicia, surge também um ser singular, pleno de desejos e potencialidades. Nasce uma pessoa disposta a fazer, refazer e desfazer. Olhar e ver. Ouvir. Sentir. Essa sou eu. Essa renovada eu. 


Que fica ainda mais velha, mais rabugenta e mais chata. Sim, acreditem, isso é possível. E sim, não me importo. Mentira, mas me importo cada vez menos. Quero me importar menos ainda. Porque essa nova eu é claustrofóbica e não se dá muito bem com caixas, amarras e espaços apertados. Então não ligo não quero ligar se as pessoas se importam com as minhas reclamações. Ou se somente me enxergam através disso. Eu tenho de me conscientizar que a mente limitada é a de quem escolheu me ver por suas lentes tacanhas. Se eu não estou ofendendo nem magoando você, então você não tem nada a ver com isso. Que tal perguntar como eu estou ao invés de me condenar ou tentar me definir? Por um 2015 com mais rotas e menos rótulos.
E só para situar, minhas reclamações não surgem do nada. Eu não sou a chata porque simplesmente nasci para tornar o mundo mais sisudo. De alguma forma eu assumi um papel que precisava ser tomado por alguém. E que vários alguéns tomaram para si. Alguns de forma mais suave, outros ainda mais brutos do que eu. Cansa, dá trabalho e desgasta. Às vezes eu exagero? Sim? Passo do ponto? Também. Os transtornos são temporários, mas os benefícios serão permanentes. Brincadeira. Eu tenho me esforçado para ver o mundo com lentes mais coloridas e tolerantes, até mais benevolentes. Paciente. Buda. Entoa um mantra. Respira. Juro. Nem sempre dá, e começo a rosnar no meio do Ommm. Isso decorre da minha personalidade e das escolhas que fiz para mim e de um sangue com baixo ponto de ebulição também. Do que acredito. Dos meus sonhos. Dos meus ideais. Das batalhas que escolhi lutar. E são muitas, mais até do que sou capaz de dar conta. Mas ainda assim eu tento. E falo isso tanto do aspecto micro quanto do macro. Falo do meu quarto e falo do mundo. Eu tenho tentado chamar as pessoas de idiota com um sorriso no rosto. Desconfio que a maioria não percebe o que estou fazendo, porque burrice é uma zorra, então para mim não funciona. Estou partindo para o xingamento mental.

Sei que o cenário parece meio cinzento, mas não pense você que a coisa só piora com a idade. Somos feito vinho,esqueceu? Ficamos mais do que perfeitos com o tempo eu pelo menos estou ficando mais saborosa, complexa, intensa.... Às vezes eu me questiono se de fato me tornei uma pessoa melhor com o passar dos anos. Eu acreditava que sim, mas de quando em vez me ponho em dúvida. O que é ser melhor? É ser socialmente mais aceita? É me enquadrar em um padrão? Falar menos palavrão? Seguir conceitos e preconceitos? Aceitar que determinadas coisas são assim porque sempre foram assim? Não, para mim não dá. Escolhi o caminho mais difícil e escolheria cem vezes. Aliás continuo escolhendo. Então, no fim das contas, eu me tornei ou não uma pessoa melhor? Sim. Porque estou mais firme de minhas convicções e princípios. Porque não aceito preconceitos e repudio quando percebo em mim mesma qualquer atitude nesse sentido. Porque me tornei uma pessoa menos egoísta o que não quer dizer que eu não seja egoísta. Porque sou disponível. Porque tenho atitudes em busca de uma sociedade mais justa e mais humana. Porque procuro exercer o desapego, ainda que seja taxada de materialista e pouco espiritualizada. [Não me rotule, lembra? Das minhas crenças cuido eu. Do que eu acredito, não acredito, passei a acreditar e deixei de acreditar novamente cuido eu. Se faço oferenda, se rezo uma missa, se vejo gente morta ou se abro um livro de física quântica, isso só me diz respeito. Não me julgue, não me enquadre, eu sou muito mais fluida que seus conceitos estanques.]
Relendo esse texto, ele me pareceu muito mais pesado do que eu gostaria, mas ele tem a carga absolutamente necessária. Para uma cética, eu tenho acreditado muito em determinadas coisas astrológicas. Ou apenas me deixei impressionar. Vai saber. Mas não é por acaso que hoje chegou aos meus olhos esse texto, sobre a missão de cada signo.

"Capricórnio, venha cá...
'A ti, Capricórnio, quero o suor de tua fronte, para que possa ensinar aos homens o trabalho. Não é fácil a tua tarefa, pois sentirás todo o labor dos homens sobre teus ombros; mas pelo jugo de tua carga, te concedo o Dom da Responsabilidade.'
E Capricórnio voltou ao seu lugar.
Principal característica: a persistência
Qualidade: disciplina
Defeito: rigidez"

Assim como chegou até mim um outro texto, falando sobre a previsão dos signos para 2015, em um  momento que foi um pequeno aperitivo do que seria será este ano.

"O caos se manifesta para dar nascimento a uma nova ordem que hoje brota especialmente nos corações capricornianos. Crise é sinônimo de oportunidade. O ano de Marte não perdoa. O que é preciso será preciso e não tem jeito. Você não será mais a mesma."

Tá, é para lutar? Vamos em frente. Mas eu vou com um sorriso no rosto e com o coração leve. Junto de quem vale a pena e de quem queira estar comigo. E que seja divertido esse caminhar, mesmo permeado de percalços. Até porque, pelo que me conste, ninguém nos proibiu de voar. Feliz nascimento para mim.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014 já foi. Que venha 2015!!

E assim como todos os anos anteriores a ele, 2014 está indo embora. E se foi um ano que trouxe muita coisa boa, também portou consigo muita desgraça ou alguém já esqueceu o Ebola, a crise hídrica, queda e derrubada de aviões, desabamento de viaduto... Isso sem falar no tanto de gente maravilhosa que 2014 levou: Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves, Gabriel García Márquez, mortes que deixam um vazio sem fim...
Mas 2014 foi um ano de muitas conquistas pessoais. Para se ter um exemplo, das cinco metas que estabeleci para mim, apenas não consegui atingir uma delas. Tá aqui, ó, para quem quiser conferir. Eu estou dirigindo de forma mais tranquila, consegui usar menos sacolas plásticas, apesar do maridão não colaborar muito nesse aspecto, estou utilizando menos o carro e mais a bicicleta e, por fim, li muito, muito, muito mais nesse ano que praticamente já passou. Só não consegui fazer coleta seletiva de lixo.
E além disso, o que mais eu fiz? Ah, fiz coisa pra caramba!! Eu vi a Copa! Fui para vários jogos, torci, me diverti. Eu fiz um ano de casada. E me tornei doadora de medula óssea. Eu comprei Dorothy. E depois Brigite. Fiz um curso de produção literária. Aliás, dois. Escrevi como nunca. Assumi tarefas como uma workaholic. Completei 12 anos com Erico. Me engajei, ainda que no mundo virtual, na mais acirrada eleição dos últimos tempos. Fiz uma alteração radical na alimentação. Amadureci minhas posturas contra preconceitos raciais, contra o machismo, sexismo, além de outros discursos de ódio. 
2014 foi um ano intenso? Sim, demais! Parece que passou em fast forward! Tudo acontecendo ao mesmo tempo! Horas de sono roubadas pelo tanto de coisas a serem feitas. Me virei em mil para dar conta da tonelada de tarefas que assumi. A sensação é que ainda estou devendo.
E 2015? Ah, esse já promete. Mas de logo já tenho minhas metas estabelecidas. Considerando o grau de sucesso das anteriores, o padrão ficou elevado.
A primeira é a repetição da meta não alcançada de 2014: fazer coleta seletiva.
A segunda é aprender a dizer não. Delegar tarefas, não achar que posso resolver tudo para todo mundo e não pensar que sou a única que pode dar solução aos problemas do mundo.
A terceira é pedalar mais, seja como esporte ou como transporte.
A quarta é viajar mais. Aproveitar todas as chances e, quando não houver chance, criá-las.
A quinta é uma meta muito pessoal. É até difícil escrever sobre isso. De certa forma é ouvir mais, prestar atenção no que as pessoas falam, e filtrar aquilo que importa. Porque muitas vezes precisamos absorver as críticas, mas outras tantas precisamos fazer ouvido de mercador. Principalmente, é entender que não é a definição dos outros que me define. 
E aí, metas mais fáceis ou difíceis que as de 2014? E as suas, quais são?

sábado, 27 de dezembro de 2014

Uma retrospectiva sobre duas rodas - e sim, eu queria que a frase ficasse dúbia

Como falar de 2014 sem falar dela, a bicicleta, que entrou em minha vida no final de 2013, mas que, em 2014, promoveu uma verdadeira revolução na forma como eu enxergava e atuava no mundo?
O que era um hobby solitário, com pedais curtos, nas ciclovias e ciclofaixas, foi ganhando volume e intensidade. Conheci o pedal 2 em 1 e a pessoa que seria responsável, ao longo do ano, pela minha mudança de perspectiva em relação à bicicleta.
Passei a pedalar com alguns grupos, até que conheci um grupo só para mulheres, o Meninas no Pedal, com o qual me identifiquei logo de cara. Ainda em formação, me integrei às meninas, e fomos fortalecendo o grupo, agregando mais mulheres, papel que, ao longo do tempo, se mostrou fundamental para que houvesse, a cada dia, mais participação feminina no ciclismo como um todo.
Ao mesmo tempo, passei a atuar mais significativamente no Pedale Seguro Salvador e em suas iniciativas para recepção de ciclistas iniciantes.
Minha evolução nesse período foi visível. De uma pessoa que fazia 15km em 1h30min passei a encarar ladeiras, trilhas, pirambeiras sem muito temor. Encarei pedal de 100km, Ladeira do Funil, trilha em Nazaré das Farinhas, na cara e na coragem.
Paralelamente a isso tudo, minha visão sobre a bicicleta foi mudando. O que antes era esporte passou a ser também meio de transporte. Comecei a encarar seriamente a possibilidade de usar menos o carro. Isso foi algo que fiz quando comecei a andar com as laranjinhas do Itaú, mas que, depois de ter comprado minha própria bike, acabei deixando de lado. Passei a pedalar para o trabalho, o que, sem dúvida, foi o ponto de viração de minha relação com a bicicleta. A partir disso, percebi que os empecilhos estão muito mais em nossa mente do que na vida real. Existe risco? Sim, vários. Mas eles não podem ser paralisantes nem impeditivos. Já dizia Dona Canô, ser feliz é para quem tem coragem.
E como tudo em nossa vida está relacionado, esse meu novo olhar sobre a bicicleta e seu papel rendeu frutos. Minha vontade, aliada à de muitas outras pessoas tão ou mais engajadas do que eu, de atuar para fazer com que a bike seja respeitada e encarada como um meio de transporte viável e seguro fez quem que estabelecêssemos uma ótima relação com a PMS e outros órgãos, instituições e meios de comunicação. Isso proporcionou a divulgação de nosso trabalho, o que resultou em seu fortalecimento. Além disso, permitiu que pudéssemos, juntamente com outras pessoas atuantes, colaborar com a Prefeitura em capacitações que já eram um desejo do grupo, mas que somente com uma ação institucional foi possível na dimensão em que está ocorrendo.
E são tantos outros projetos, desejos, sonhos e metas a serem realizados que 2015 já parece pequeno para tanta coisa. O grupo Pedale Seguro Salvador mudou de nome, passou a ser Bike Anjo Salvador, e de foco, e isso abre um  leque de possibilidades infinito.
Já o grupo das Meninas tem uma série de desafios pela frente: consolidar, agregar, manter e estimular. Não é fácil. É na tentativa e erro que tentamos achar o ponto ideal para fazer  com que haja mais e mais meninas de rosa ocupando seu espaço nas ruas, nas trilhas, em todo lugar.
Como foi possível perceber, em determinado momento as histórias se misturam e não mais se consegue saber onde começa um grupo e termina outro, onde começa a bike esporte e termina a bike transporte, onde termina a Menina e começa a Bike "Anja". E é isso mesmo. Eu e as bikes, eu e os grupos, eu e minhas tantas atividades sobre duas rodas. Seja para ir à Praia do Forte ou ao trabalho, seja para vestir roupa de ciclista ou pedalar cycle chic, o que eu tenho a dizer é o seguinte: pedalar pode ser muito mais do que um esporte, muito mais do que lazer, muito mais do que transporte. Basta se deixar encantar e ter um pouquinho, mas só um pouquinho, de vontade de querer sempre mais. Você vai ver que rapidamente, o que no início já era suficiente passa a ser demasiadamente pouco. Em um espaço de tempo curtíssimo, vai querer ganhar o mundo sobre duas rodas. E quer saber o melhor? Você já ganhou.  

PS. São muitas, muitas, muitas as pessoas que significaram muito ao longo desse ano. Seja porque me ajudaram, seja porque ajudei, seja porque foram mais do que parceiros de pedal, mas amigos de verdade. Foram tantas as histórias, tanta superação, tantas conquistas. Alcançamos, juntos, muitos objetivos, e temos um caminho imenso a trilhar para conseguir ainda mais vitórias. Assim, para não correr o risco de deixar alguém de fora, preferi não citar nenhum nome. Mas não se engane, você escreveu essa história junto comigo e sabe disso. O mais importante de tudo? Laços de amizade foram definitivamente criados. E o que a bike une ninguém separa.




























sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A Caixa

Um dia, alguém decidiu me colocar em uma Caixa. Olhou bem para mim, escolheu um modelo e pronto. Não vem ao caso se eu não gostei da cor ou do formato. Importa menos ainda o fato de eu talvez não ter optado por estar em uma Caixa. Ela era minha e eu era dela.
Depois de acomodada na Caixa, era irrelevante o meu sentimento de aperto. Não adiantava tentar levantar os braços, esticar as pernas ou sacudir a cabeça. A Caixa era perfeita para mim. Sem tirar nem por. Também empurrar para ver se as paredes cediam era inútil. Rígidas como concreto, nada as faria sair do lugar.
Sentindo-me incomodada com a falta de espaço e a impossibilidade de movimento, questionei, para o nada, quem havia escolhido aquela Caixa para mim. Por que não fui consultada sobre as medidas ideais? Por que não pude opinar sobre a forma? Por que não tive voz para dizer que, já que estar em uma Caixa era obrigatório, preferia uma maior, que me desse liberdade e proporcionasse novas experiências, caso eu tivesse vontade.
Não sei se fiquei mais surpresa com o som que escutei ou com o teor da resposta. Aquela voz estranha e desconhecida, mas convicta, disse:
- A escolha pela Caixa foi feita por você mesma.
- Por mim?? Como assim? Quem em sã consciência preferiria uma Caixa tão apertada, claustrofóbica e limitadora? Impossível, deve haver algum engano. Ninguém me perguntou nada! Não preenchi nenhum formulário de solicitação! Simplesmente me meteram nesse arremedo de tumba e mandaram-me ficar quieta! Há algo de muito errado aqui
A voz, impassível, continuou seu discurso.
- Sim, a opção foi feita por você. Quando você disse coisas sobre si mesma, quando mostrou apreço ou desapreço, quando se definiu, quando criou paradigmas estanque e engessados sobre sua pessoa, quando limitou a sua visão, quando aceitou não experimentar. Tudo isso ficou registrado em seu inconsciente. Ele é a sua Caixa. É o seu esquife em vida.
Muda, eu não podia acreditar naquilo que ouvia. Não era possível que palavras ditas da boca para fora tivessem tanto poder!
E a voz, inabalável e como que lendo meus pensamentos, completou:
- Não adianta tentar mudar agora. A condenação é perpétua. Você pode desejar ardentemente se movimentar, voltar a sentir seus braços e suas pernas que, a essa altura, já devem estar dormentes. Seu incômodo pode ser genuíno. Mas suas escolhas já foram feitas. Aceite a sua Caixa. Ninguém jamais conseguiu mudar, você não seria a primeira a.... 
Ei, ei, não! Você não pode, pare com isso! Desse jeito as paredes vão romper! Espere, espere, volte!!!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Telegrama visual

Não mais do que 10 palavras. E de repente meus olhos estavam cheios de água e meu corpo transbordava uma emoção que eu não saberia explicar.
Esperava ansiosamente pelo meu telegrama visual. Qual seriam as palavras usadas? Elas me descreveriam de fato? E a imagem? Eu me enxergaria nela?
Não poderia ser mais perfeito. Não poderia me tocar mais profundamente. Me senti contemplada e devassada, provocada por aquela obra tão completa e tão intensa. Palavras e fotografia formando um todo indissociável. O instante lapidado até chegar no resultado almejado. Isso é arte. Isso é interação que só alguém com muita familiaridade com as linguagens é capaz de conceber e realizar. 
O telegrama fala por si só. Sem subterfúgios, sem rodeios. É Marcella, com seu ritmo frenético e sua vontade de abraçar o mundo, querendo tanto, querendo tudo, querendo mais. Achando que sim, dá para fazer. Tira umas horas de sono aqui, faz dezoito coisas ao mesmo tempo aqui, controla casa milésimo de segundo com mão de ferro e pimba! Quase deu, droga! Se eu não tivesse perdido tempo naquela ligação, se não tivesse ficado presa no engarrafamento, se o sistema não tivesse caído, se Erico não tivesse demorado um minuto a mais para chegar, se...
Obrigada, Maíra Viana, por tudo que você me proporcionou desde que nossos caminhos se cruzaram, em uma dessas piadas do destino. Que nossos passos continuem se encontrando pela estrada, porque ela com certeza fica mais rica com a sua presença.