segunda-feira, 12 de agosto de 2013

E o dia começou até bem. A vida começou bem. E vai continuar.

Hoje eu faço 07 meses de casada. Por acaso, o rádio do carro estava sintonizado em uma estação de música, não de notícia. Por acaso, a primeira canção que tocou foi a música final da cerimônia. Um dia lindo se desenhava, certo? Não exatamente.
O dia que se prometia alegre não aconteceu.
Não recebi a notícia que esperava.
A situação que me aflige não acabou. E não tem data para acabar.
E eu continuo aqui, com minha vida meio bagunçada, com minha rotina meio sem rotina. 
Esperando, afinal, é o que me resta.

"De tanto não parar a gente chegou lá."

Mas como hoje também é dia de comemorar, deixo aqui minha mensagem por esses 07 meses. Porque a vida de casada é sim, ótima. Porque é maravilhoso dormir e acordar ao seu lado, por mais que a gente quase nunca deite e levante nos mesmos horários ainda que você ronque e eu me mexa loucamente. Porque é ótimo fazer as refeições com você mesmo que meus pratos de domingo não sejam lá uma Brastemp. Porque você é uma ótima companhia para ver novela. E ainda que cada um esteja trabalhando-estudando-navegando-fazendo nada em seu notebook, fico feliz simplesmente por você estar por perto.
A cada dia que passa, tenho mais certeza do que me fez querer estar com você. E continuar querendo, mesmo depois de quase 11 anos. Porque nós somos corpo e alma. Somos um, somos dois, somos nós. Somos a nossa relação. E somos nós que importamos, no fim das contas. E daí que ficou uma toalha em cima da cama ou um prato sujo na pia. E daí que alguém esqueceu a tampa da privada levantada? Ou o tubo de pasta de dente aberto? Ou a gaveta bagunçada? Sem sombra de dúvida, isso é irrelevante. De um jeito ou de outro, as coisas se ajeitam. E a gente se ajeita. A casa de revista de decoração que vá a merda, porque o que eu quero é um lar, um aconchego para onde voltar, onde eu queira estar. E isso eu tenho, com você.
E já que os opostos se distraem, e os dispostos se atraem, que venham mais 817365472038094049049543874 meses de disposição. 

domingo, 11 de agosto de 2013

Uma imagem vale mais do que mil palavras

Não, só porque hoje é Dia dos Pais, não vou dizer que meu pai é perfeito. Também não vou dizer que ele é meu herói. Nem vou falar que ele só me dá alegrias.
Vou somente colocar uma foto, que, para mim, fala por si mesma. Afinal, ele passou meses dizendo que não entraria comigo no dia do meu casamento. Mas, na hora, foi ele que foi lá no quarto me buscar.
Então, fica aqui meu obrigada. Por ser pai. Meu pai. Porque eu sempre serei a filha sobre quem Deus falou: "Ah, é uma menina que você quer? Então se prepara!"

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho


sábado, 10 de agosto de 2013

Aquela que faz os outros felizes

Tem significado mais apropriado?
Hoje é o dia de parabéns daquela que chegou mudando planos e ideias de todo mundo. Que transformou em pai e mãe aqueles que ninguém imaginava nesse papel. Que colocou a vida dos dois de cabeça para baixo. Pior, que fez com que eles amassem estar de ponta cabeça. Que criou novas perspectivas. Que pôs em segundo plano aquilo que antes era prioridade. E fez com que se tornasse prioridade aquilo que antes sequer era cogitado. Que fez surgir vovôs e vovós simplesmente arriados. Que possibilitou a um bando de primos e primas serem tios e tias de primeira categoria!
Hoje é o dia dela. Ela que vem para nossas casas e nos dá uma canseira sem tamanho. Ela que me faz repensar, a cada visita, se vou arriscar ter um filho e sair uma espoleta igual a ela. Ela que quase me fez chorar quando me chamou de "Tia Tella" pela primeira vez e com isso me ganhou inteiramente. Ela, que mobiliza uma família inteira para fazer uma festa de aniversário. Ela, que conquista a todos a seu redor. Ela, que convence que uma porquinha da índia da casa de minha sogra é dela, ganhando o direito até de batizar a bichinha. Ela, que corre para os braços de Tio Erico gritando como se não houvesse amanhã. Ela, que tem tanta energia que não cabe dentro dela, e que talvez por isso pule, berre e fale tanto, meu Deus!!! Ela, que conseguimos cooptar e fazer como que fosse Palmeirense de coração e deixasse de lado o Flamengo do pai. Ela, que é a mais nova torcedora do Galícia. Ela, que nos deixa com lágrimas nos olhos ao vê-la no palco de uma apresentação qualquer de dança, música ou teatro, ou quando vai embora, carregada pelas mãos das circunstâncias, escolhas e necessidades.
Então ficamos aqui, cheios de saudade, acompanhando sua vida do jeito que dá, tomando susto ao ver como ela cresceu, e rezando para chegar logo o dia em que ela vem de novo. E ficamos desejando o melhor para aquela que sempre será a primeira em nossos corações.


sábado, 3 de agosto de 2013

Pode rasgar o papel de presente.

Algumas pessoas aparecem em nossas vidas por conta de nossa rotina, de nosso trabalho, de nosso lazer. Outras chegam trazidas pelas mãos de outras pessoas. E ficam mesmo quando a relação entre elas não mais existe.
Essas pessoas permancem de diversos jeitos. Muitas vezes de forma presente e intensa. Ou de forma esporádica, mas ainda assim muito significativa. Ou ficam como uma lembrança carinhosa.
Na verdade, o que quero dizer é que algumas dessas pessoas para sempre vão ter o status que sempre tiveram em meu coração. Porque não importa como elas chegaram, o que importa é que ficaram. E ainda que o encontro seja raro, ainda que desencontros aconteçam, ainda que eu nunca tenha comido uma certa feijoada. eu sei que essas pessoas sempre estarão lá. 
Não que isso signifique que essa relação não precise ser cultivada. Precisa sim, como todas as outras, mesmo aquelas com pessoas que estão, neste exato momento, a 2m de distância.
Mas é que essas pessoas têm uma presença tão marcante e significativa que a simples existência delas já me faz mais feliz.
Este é um texto-presente, que uso para pessoas que estão um pouquinho longe, geograficamente falando. Normalmente não cito nomes, mas desta vez vou abrir uma exceção, porque essas duas são muito, muito especiais.

Lela, aqui vai seu presente. Acho que saiu um pouquinho melhor do que um parabéns no face, né não? É por aqui que tento usar palavras, não de forma tão brilhante e talentosa como você, para transmitir meus melhores desejos. Para desejar uma vida cheia de vontade e inquietudes. Para desejar dias repletos de novidades. Para desejar que você queira sempre. Para desejar uma vida cheia de vida. Para desejar amor, de todas as formas, cores e tamanhos. Para desejar sentimentos que inundem, transbordem e se espalhem. Para desejar inspiração: para ousar, para escrever, para se arriscar. Coragem para fazer, de cada dia, um dia que mereça ser relembrado. 

Naty, aquela sobre quem é difícil até falar. Aquela que conquistou, de forma imediata, desde o primeiro almoço, a minha simpatia e admiração. Daí para conquistar meu coração, foi um piscar de olhos. Ainda que a vida tenha seguido seus caminhos por vezes tortuosos e incompreensíveis, o que sinto por você não mudou uma vírgula. Sinto o mesmo carinho, a mesma saudade por não poder ver mais, conviver mais, estar mais próxima. É nessas horas que amo as redes sociais, que me permitem participar, pelo menos um pouquinho, não só de sua vida, mas também de todas as pessoas queridas que vieram no mesmo pacote. Eu tenho muito que agradecer por vocês todos me permitirem isso depois de tudo. Então hoje o que eu tenho para dizer é que  espero que você tenha uma vida com muitos caminhos. E que esses caminhos te tragam mais vivências, mais experiências, mais histórias para contar. Que te façam cada vez mais forte. Que cada passo seja firme, ainda que o destino seja desconhecido. Que você nunca, nunca perca a coragem de seguir em frente. Que a bagagem que você carrega com você não seja um fardo, mas que te ajude a decidir como deve caminhar. E que você encontre muita coisa boa à medida que avance nessas estradas. 

Espero que tenham gostado. Feliz Aniversário!

domingo, 21 de julho de 2013

Certidão

A partir de hoje, certifico, de forma irrevogável, o início de minha velhice. Sim, saí da fase do "estou ficando velha" para "agora sou uma velha". E não, não foram os três cabelos brancos que encontrei essa semana que me fizeram concluir isso.
Cheguei a esse veredito depois de ontem. Por não tolerar certas coisas. Por achar outras tantas um absurdo sem tamanho.
Vou listar algumas. Quem sabe encontro mais alguns velhos para fazer parte do clube da melhor ??? idade comigo.
Ontem fui a um show. Trata-se de um ambiente coletivo privado, ou seja, um local total ou parcialmente fechado, para a utilização simultânea por várias pessoas, coberto, destinado ao lazer. Isso significa que não se pode fumar lá dentro. Não sou eu quem diz isso. É a lei. Quer os números? Lei 9.294/1996, Lei 7.651/2009, Lei 12.546/2011. Respeitar pra que, né? Eu não me importo de ficar ao lado de alguém fumando, desde que seja por minha livre e espontânea E-S-C-O-L-H-A. Aí a pessoa se coloca de seu lado, fuma um cigarro chinfrim porque na certa não tem nem dinheiro para bancar o próprio vício, e, como se não bastasse soltar suas baforadas como se fosse a última criatura na face da Terra, ainda leva 3h para fumar um cigarro. Algo do tipo: eu nem fumo mesmo, só fico aqui segurando o cigarro para fazer um charme. Tão demodê semi-adolescentes fazendo tipo com cigarro. Se ainda fosse maconha, dava para dizer que resta um traço de transgressão na conduta.
Pula essa parte. Vamos para a cena do casal de semi-adolescentes no cio. Quero dizer que essa expressão semi-adolescentes foi cunhada por mim mesma, quando quero me referir àquela turma de 20, 20 e poucos anos que, dada a infantilidade de suas atitudes, não podem jamais ser chamados de adultos, ainda que legalmente já o sejam.
Bom, você está no show, tentando ver, com certa dificuldade, o artista lá no palco. Apesar de estar no camarote, ainda assim encontra empecilhos para o seu propósito, porque é dotada de certa deficiência vertical. Ok, ninguém tem nada com isso. Aí você encontra um lugarzinho com uma visão entre as duas cabeças que estão bem à sua frente. Com sorte, quando eles não se sacodem muito dançando, você consegue ter a sua visão de relance do palco. Não passam 02 minutos. O casal de semi-adolescentes, muito esperto, claro, também acha perfeito aquele local que você arrumou. E não se importa nem um pouco de se colocar bem à sua frente. Não interessa se a bunda do espécime masculino do casal fica tocando em você. O problema é seu. Mas a questão não é só ele estar tapando por completo a sua visão do show. Lembram que eu falei que era um casal de semi-adolescente no cio? Então. A espécime feminina do casal, a cada 20 segundos, dava as costas para o palco para protagonizar cenas preparatórias para o acasalamento. Gostaria de deixar claro que longe de mim ser uma puritana. Quem não já deu seus amassos por aí? Mas pera lá, tudo tem limite, né? Ainda tinha a curvadinha que o espécime masculino fazia, na certa para encaixar melhor na espécime feminina. Claro que com isso ele encostava a bunda mais em mim. Eu juro que queria ter levado uma caneta na bolsa ontem. O máximo que eu conseguia fazer era empurrar, mas era inócuo, dado o alto grau de hormônios que estavam no ar.
Pulemos para a terceira cena da noite. Quando percebi que do local onde eu estava não ia rolar ver o show, decidi subir para a outra parte do camarote. É claro que os melhores lugares já estavam ocupados, então me coloquei em um espaço de onde pelo menos eu via o palco. Nesse lugar tinha um casal bem espaçoso, já que, onde caberiam 3 pessoas tranquilamente, eles se espalhavam para ficar somente eles. Tudo bem. Aí percebi que o cara era meio sem noção. Gritava como se aquele show fosse a última coisa que ele faria na vida. Interagia com Marcelo Camelo tenho a impressão que a recíproca não era verdadeira. Dizia que o que Camelo tinha feito tinha dado certo, porque aquele era um show para a Concha, mas que estava funcionando ali. Cantava gritando para a sua mulher/namorada/noiva/peguete, que, por sua vez, cantava gritando de volta. Gente, quando eu falo gritando, é gritando mesmo. 
Vou me alongar nesse trecho. Esse casal já estava berrando desde quando chegamos. Assim, o show de Camelo era voz e violão. Voz e violão, ficou claro? Pronto. Os tietes histéricos não paravam de urrar e cantar. Garanto que muitos vão dizer que não ouviram o violino em algumas músicas. Tenho certeza que outros tantos não perceberam vários dos solos incríveis que Marcelo Camelo fez, porque ou estavam cantando as músicas de Los Hermanos, ou estavam pedindo para Los Hermanos voltarem, ou estavam simplesmente cantando, de forma egoísta e emocionada, a SUA música. Pode ser impressão minha, mas ainda que Marcelo Camelo espere que o público em Salvador cante as músicas, imagino que tenha ficado um quê de decepção, por conta das pessoas não terem compreendido o formato do show. Ele deu uma alfinetada, mas é óbvio que as pessoas estão muito preocupadas com seu umbigo para perceberem a necessidade/desejo alheio.
Voltando ao casal, eles não paravam de berrar, tanto as músicas quanto expressões de louvor aos baianos, que estavam fazendo um espetáculo tão lindo na opinião deles, deixo a ressalva. A coisa piorou um pouco quando o cara saiu para ir ao banheiro e eu me coloquei na balaustrada #foiprafeiraperdeuacadeira. Ninguém mandou beber tanta cerveja. Quando ele voltou, percebi que começou a berrar ainda mais, acho que de raiva. Desconfio de uma lesão no meu tímpano. Quando foi a vez de a menina ir ao banheiro, Erico ficou na balaustrada. Cara, aí a coisa piorou muito. Dava para sentir um bafo de cachaça quando ele berrava no meu ouvido. Ele tentava fazer uns vocais, algo meio gutural, imagino que deva ter algo a ver com cólicas intestinais graves. Se eu tivesse um Floratil na bolsa, com certeza ofereceria a ele.
Enfim, o show acabou e eles foram embora. E eu fiquei, com o tímpano estourado e a constatação de que minha terceira idade começou ontem.
Em homenagem à minha rabugice, deixo aqui um trechinho de uma música de Maglore, uma das bandas do show de ontem.

Demodê
Quando eu ficar ranzinza 
e não pude mais reverter
A idade que incomoda
é um demodê, feito pra vender
Vou andar no descompasso
dos cinquenta eu não passo
não vou ter mais sensatez
Maldizer vai virar esporte
vamos desdenhar da sorte
Ganhar mais e mais perder

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A nega do leite e o pintinho: uma história da carochinha

Hoje ouvi de colegas que estava falando mais do que a nega do leite. Engraçado. Ouvir essa expressão é algo que faz parte da minha realidade mais remota, de quando ainda era uma criança e formava a imagem da nega maluca carregando leite e nada fazia muito sentido no meu fantástico mundo de Bob. Provavelmente escuto isso desde que comecei a falar, embora não lembre muito bem. 
Desconfio que isso deve ter algo a ver com o fato de terem colocado um pintinho para piar em minha boca, porque eu estava demorando para falar ah se soubessem. Só para esclarecer, trata-se do pinto filho da galinha, ok? Tipo aqueles que ganhávamos nas feiras de animais e misteriosamente não duravam mais de uma semana na casa de ninguém. Pintos de outra natureza não vem ao caso neste momento. Voltei. Bom, pode não ter sido em minha boca que colocaram o diabo do pintinho para piar na minha casa tinha um pintinho, na minha casa tinha um pintinho, o galo cocó, a galinha có, o pintinho piu, o pintinho piu, o pintinho piu. Acho que eu não estava demorando de falar, mas de andar. Vou perguntar a minha mãe e esclarecer qual era a área de minha lerdeza. Enfim. Voltei de novo. O fato é que sempre falei muito, sempre falei alto. Sempre falei demais. Ainda hoje sou assim. Quando percebo, só eu estou falando, quando me dou conta, já interrompi quando pisco o olho, já estou no palco declamando "batatinha quando nasce, esparranja pelo chão". Foco.
Reconheço que ainda preciso aprender a ouvir mais. Muito mais.
Quanto ao palavrório, também já tentei me controlar, tagarelar menos e falar menos palavrão, mas disso já desisti. Fica para a próxima. Encarnação. Percebi que, falando muito, também me exponho muito. Me devasso. Por outro lado, falando tanto, me disfarço. Porque falo também para me esconder. Falo para não ter de me mostrar por inteira. Falar muito é como atuar para quem é tímido. A diferença é que, quem atua, se esconde atrás de um personagem. Eu consigo me ocultar atrás de mim mesma.
Quando eu não consigo nem falar, é porque a situação está gritante, com o perdão do trocadilho. É porque já não consigo me camuflar. É porque a verborragia não seria capaz de criar uma cortina de fumaça e tirar o foco de mim mesma. Então me calo.
Minhas palavras muitas vezes podem incomodar. Mil perdões. Mas é o meu silêncio que me assusta.    

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Em segredo, mantenho viva a minha paranóia

Ô, depois de tantas esperanças, expectativas, ansiedade e tombo, só me resta mesmo conservar meu medo e manter ele bem aceso, já dizia Raulzito.
Já desisti desse negócio de que não devo me preocupar, porque é só especulação. Eu que não coloque minhas barbas de molho não, para ver o que acontece comigo.
Desde meados de maio, minha vida está de cabeça para baixo, minha rotina foi para o espaço. Aí tento aqui e ali ajeitar as coisas, para sentir o mínimo possível.
Quero minha vida de volta, cada minuto de minha programação. Quero mais ainda ter a perspectiva de tê-la de volta, o que, por enquanto, é um horizonte bem distante. Adoraria ser otimista e fazer a Poliana, com seu jogo do contente, mas não está rolando não. A energia à qual estou submetida por agora acaba me tirando essa capacidade de tentar ver o lado bom das coisas.
E o pior é não ter nem a possibilidade de dizer não.